Quando o rio cruza a ponte (II)
Quando o rio cruza a ponte
Parte II
Março
Padova, 01/03/2022
Nunca vi este Carnaval.
Ruas vazias. Povo quieto.
As regras são respeitadas.
Não ouço barulho. Não passa o bloco. Não vejo as garrafas.
Os grupos sumiram.
O dia segue. Podemos seguir.
Estranho.
Por que? Porque.
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Padova, 02/03/2022
Ainda não me acostumei com a proximidade.
Encontro-me com nomes fortes. Influentes e conhecidos.
Entro pela sala. Puxo a cadeira. Temo a próxima palavra.
Escolho o tom e fico dedilhando as respostas.
Ele é calmo. Parece sereno. É exigente. Quer mais. Mira no mais alto.
Me assusto com a responsabilidade.
Mas não falta coragem.
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Padova, 03/03/2022
É no Centro que os caminhos se encontram. Na travessa, na rua e pela calçada.
O chão sujo se mistura com fachadas velhas. A estação. Porta de entrada e de saída. O tom é beje. Escuro. Mas o sol ajuda no brilho.
O povo passa. Vai e vem. Rápido é a regra. Gente é muita. Pouco é o tempo.
História tem. Todo tipo de rosto e gesto.
Os corpos se dividem pelas ruas, que parecem respeitar os seus hábitos.
Tentam os desencontros. Não no Centro.
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Padova, 04/03/2022
O sol brilha em um céu azul claro.
No mesmo plano passeiam pássaros e aviões.
Não cai a chuva e o verão não fecha. Já é março e o tempo é frio.
Mas é claro, como quando quente.
É sereno. Manso. Suave.
É dia.
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Padova, 05/03/2022
Acontece que é amanhã.
Mas o hoje inicia. É o sentimento de expectativa.
O que faz sentir na véspera, desejando o melhor para depois.
É confuso. É para amanhã.
Pois, quando o encontro acontecer, o que há até aqui vai acabar. Saudade.
Também, porque há o que permanece. Amor.
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Padova, 06/03/2022
Tudo para que este dia aconteça.
Eu só quero que ela chegue.
Feliz!
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Padova, 07/03/2022
A cidade ocupa as pessoas, que movimentam a cidade.
A direção é confusa, em direção a vários. Que são lugares, pontos, espaços e gentes.
Há todos os sentidos, quem preenchem qualquer possibilidade de ir. Voltar. Chegar.
Ir de novo. Encontrar. Despedir. Esperar.
Pois o tempo é da rua, que cria o espaço.
Para que tudo aconteça.
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Padova, 08/03/2022
É quando os santos se confundem no gênero, que não importa.
Ver o antigo, joga a mente no tempo.
A comparação é inevitável.
Mesmo que o ouvido não compreenda, os olhos buscam e acham.
O silêncio na amplitude apresenta uma longa história.
A roupa do sagrado não esconde o suficiente. Mas é bonito, pois é para ser.
E entendo, até o que parecia não acontecer.
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Padova, 09/03/2022
O corpo deseja aquecer.
A mente procura descansar.
A moeda cai e ao mesmo tempo bate o que estava antes.
O novo vai acontecer.
O grão preenche e o cheiro surge. Anuncia o que vem.
No giro, o encontro acontece com a água. Quente. Que desce lenta e escura.
É pouco. É curto.
É pequeno, mas tem força.
É preto, mas vem vestido de marrom.
Espuma e ocupa um gole longo.
Que quer ser o suficiente.
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Padova, 10/03/2022
Ritual que começa na porta.
Com uma lista a giz, feita por títulos que dificultam a decisão.
O vinho é tinto, mas o prato é da sorte. Que bom, pois só pode ser bom.
Da cozinha vem o cheiro, que se mistura com outros.
O apetite aumenta.
A panela recebe a massa que faz uma mistura pelo ar.
Que cai e vai até a mesa.
Sabor.
Faz sentir que estou aqui.
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Padova, 11/03/2022
As ruas que formam ruas.
Dão acesso a ruas pelas ruas que encontram outras ruas.
Espaços. Esquinas.
Ruas. Avançam. Seguem e dobram.
Para que entrem e entremos na rua das ruas.
E vira. Retorna. Começa. Na rua que não precisa.
Mas dá acesso.
O caminho. De pedra.
Ora sujo, mas vamos.
Ruas que não acabam.
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Padova, 12/03/2022
Há um canal que passa deixando o verde entre janelas e sacadas.
Da beira é possível dar costas ao movimento que vem e vai ao centro.
Isso para que os olhos procurem o infinito. Também, o finito que está para baixo.
Vê-se a vida, que surge nos círculos gradativos na superfície da água.
Pulam e agitam-se na correnteza.
Que é calma. Mas não cessa.
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Padova, 13/03/2022
Na praça que sustenta corpos e histórias incompletas.
Parece criar mais, quem movimenta, vai, volta e atravessa.
A paisagem sintetiza pouco daquilo que parece muito mais.
Há espaços incompletos.
Pedaços vazios, porém preenchidos por aquilo que não está exposto.
A grandeza do espaço é insuficiente.
Claro que é belo. Mas, falta.
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Padova, 14/03/2022
A primeira impressão de começar a aprender um novo idioma.
Uma nova língua é mais um jeito de portar o corpo.
Jogar a mensagem. Fazer a palavra chegar.
É difícil e não há limites para a comunicação.
E o italiano é teatral, com palavras fortes para dizer o simples.
Faz brilhar os olhos e toca a gente.
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Padova, 15/03/2022
Torço para não sentir mais aflição em momentos como este, quando encontro quem me orienta.
Quero sentir a leveza que não existe sobre quem está criando.
As palavras se misturam. A mão treme e o raciocínio foge.
Mas a experiência vigia e minimiza os danos.
Assim acontece o que deseja ser um grande projeto.
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Padova, 16/03/2022
Há dois anos saí da sala na expectativa de voltar na próxima semana.
Sem muita incerteza, reunia poucos pertences, pois não havia motivos para o diferente.
No meio, muito aconteceu e encontro-me aqui.
Quando volto, encontro minhas mudanças, o caos e a confusão na mente. Que durou e veio.
Que inquietou o corpo e me jogou para o mundo.
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Padova, 17/03/2022
Não cabe pouco para as pessoas. Isso faz buscar, mexer, mudar.
E quando o trânsito acontece, há quem queira frear.
Tentam. Até dificultam.
Mas há quem force o contrário.
Ajuda e vibra pelo futuro que é do outro.
Como um ciclo que não pode parar. Como se o hoje fosse porque o ontem aconteceu.
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Padova, 18/03/2022
A primeira falha acontece sem a virtude da confiança.
Faltam palavras quando a língua é pouca.
E vem o medo, que brinca na dificuldade em reverter.
Explicar sem muito, faz demorar e atrapalha.
Soa como bronca, até quando não deve ser.
Mas tento. Puxo frases que podem ser úteis.
Em lugares que não são meus.
Com pessoas que não me conhecem.
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Padova, 19/03/2022
Flores penduradas que dão vida ao ferro e ao cinza.
Fazem contraste ao opaco das tintas.
Escondem tijolos e pedaços descascados pelo tempo.
Colorem sacadas, que identificam as casas, as ruas, a cidade.
Se descrever, vira endereço.
E talvez seja isso.
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Padova, 20/03/2022
O frio vai se afastando, dando lugar ao sol cada vez menos tímido.
O verde já dá sinais pelas esquinas e pelo chão.
Parece ter espaço para as flores e o marrom vai ficando menos.
É primavera.
Primeiro dia, mas já marca. Não há dúvidas de que será diferente.
Como um capítulo que acontece depois do outro. Sem apagar o de antes.
E continua.
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Padova, 21/03/2022
O exercício de pensar na carreira, como um futuro que deve ser bom.
Na liberdade quem vem do papel. Contra a coragem que falta quando registra.
Flui, pois muito já está claro.
Mas pesa o compromisso. Porque pode acontecer.
Há um caminho que não é pouco.
Tem curvas e falta o mapa.
Dá tempo. Isso é bom.
Posso. O que é ainda melhor.
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Padova, 22/03/2022
Cresce uma fila sob a interseção do azul escuro com a luz.
Que aumenta em intervalos distintos.
Aparentemente, todos com o mesmo propósito.
Morar. Viver em regras específicas. Aceitar uma nova realidade.
Há tez e olhos do mundo, mas a maioria obedece um padrão.
Ninguém demonstra certeza, mas o corpo jorra esperança.
Creem pelo melhor.
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Padova, 23/03/2022
Assusta escrever sob o olhar de quem pode ler.
Uma entrevista que compromete as palavras e desorienta.
Não quero vigias. Mas preciso ser visto.
É complexo, pois é sobre o que sou e posso.
Dói a cabeça.
Escrevo e coloco com cautela.
Busco evitar as certezas. Apelo para o que gostaria.
São desejos. Honestos. Legítimos.
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Rovigo, 24/03/2022
De longe, como se o branco fosse pintura.
Árvore imponente. Troncos médios.
Galhos que se apresentam como um leque de pelugem clara.
O vento tenta bagunçar, mas o arranjo não modifica.
O verde ao fundo, ajuda no destaque.
A luz do sol colabora.
Não é tempo do fruto.
Mas, só pode ser doce.
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Padova, 25/03/2022
A incerteza, talvez, seja a melhor representação da nossa limitação.
E, por si só, o "talvez" caiba para explicar a insuficiência do humano.
Que tenta, mas não alcança.
Aproxima, mas não chega.
Mede, mas não tem certeza.
Vê o alvo e até chega perto. Repete e não consegue.
Continuam. Ainda que a premissa seja o inalcançável.
Parece justo.
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Padova, 26/03/2022
Há história por toda parte.
Conforme ou não, contam um pedaço e atrai os curiosos.
Ávidos pelo passado. Pelas obras.
Por aquilo que não cabe hoje, mas pode modificar o que vem depois.
Viajar por pinturas, esculturas e objetos que ajudam a compreender o mundo.
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Padova, 27/03/2022
A igreja inacabada e saqueada.
Segundo eles, não há nada dentro.
Mas vejo muito. Vejo tanto o quanto para não chamar de pouco.
Riquezas e dimensões que impressionam.
Objetos, lustres e mármores que provam a robustez.
Não é pouco.
Depende para quem.
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Padova, 28/03/2022
A pergunta que antecede uma resposta simples, dando a impressão do entendimento.
A matemática faz esse jogo. Brinca com as possibilidades. Bagunça as certeza.
Deixa em silêncio, quando é apenas lançar um número. Ou letra.
Há tempo não vejo esta equação.
Esqueço. Mas lembro das emoções, que são as mesmas.
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Padova, 29/03/2022
Não programar ainda me atinge como uma deficiência.
Nos códigos valido o pensamento matemático.
Mas falta a prática. A experiência.
A língua, que vem do uso.
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Padova, 30/03/2022
Pão que não é francês. Embora mais perto.
É italiano e o ritual é diferente.
Não sai toda hora. Não vem quente.
Não sei se tem para de manhã.
Tem para acompanhar o almoço.
Macio, seco. Com oliva.
Servem com a pão, quando o dedo aponta.
Gosto de todos.
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Padova, 31/03/2022
Na interação com os possíveis parceiros, quero colaborar.
Pode surgir uma colaboração, que é parte interessante do projeto.
Nele, não vejo muita simpatia.
Frases curtas. Fundo ofuscado.
Tento ser útil. Sinto que a regra pode não ser essa.
Estou em outro lugar.
Uso palavras que me arrependo. Logo em seguida.
Apenas espero conseguir desenvolver.
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Rovigo, 01/04/2022
Volto a tocar na máquina que me trouxe até aqui.
A mente vai aonde tudo começou. Permanecem curiosidade e coragem.
Os nomes e códigos estavam guardados em algum lugar, que eu mesmo não sabia.
O conhecimento passa e, volátil, tento pegar o que vem. Também acessar o que tinha.
Assusta. Mas está aqui. Falta montar. Encaixar e criar.
Algo que precisa acontecer em mim.
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Padova, 02/04/2022
Em meio a tudo que já aparenta confuso, a comunicação cruza o espaço. Sem pena, deixa que os problemas aconteçam.
O pouco que dá para explicar não é o suficiente.
Quem é novo é frágil.
Dói. Machuca. Mas é assim.
A informação tem o poder de criar em todas as direções.
O sentido está em saber que é reversível. Pela palavra.
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Padova, 03/04/2022
Passos leves para aproveitar a paisagem.
Sentir o fim da semana. Desejando o início próspero da próxima.
Um trajeto de domingo. Passa o parque, o céu, o tempo.
Que preenche o corpo de forças para o que vem amanhã.
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Rovigo, 04/04/2022
Sigo ensaiando o discurso. Típico de quem não domina o improviso.
A máscara esconde os movimentos, mas vigio para que o som não escape pelas ruas.
Há uma preocupação latente. Coisa de quem não conseguiu passar a confiança que gostaria.
Hoje é dia para corrigir.
Dia de demonstrar com os olhos aquilo que a fala não atinge.
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Padova, 05/04/2022
No caminhar por um corredor em formato de rua. Leva uma praça a outra.
Um plano longo, feito para ser infinito.
Vê-se o relógio. Há signos e muitas mensagens que vêm do tempo.
No passar pela curvatura, a luz abaixa e gela um pouco. Vem das árvores, que também puxam parte do som para elas.
Há pássaros, bancos e livros.
Pessoas e bicicletas que marcam. Ali tem escola.
Tem história. Museu. Arqueologia. Arte.
Prédios que se conectam e descartam portas que são inúteis.
A parede que toma os andares, formando uma tela que direciona a cabeça em um giro uniforme.
Perto, uma sala que também é gigante. Com pinturas que provocam os olhos em busca do vazio. Não há.
Nos faz pequenos na geometria, que não é complexa.
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Padova, 06/04/2022
Aparentemente a Universidade é para quem pode.
Como tudo.
No que vê-se como oportunidade, cabe o "para quê" ou "para quem".
É no horário, nas regras e nos códigos que o espaço se fecha para quem tem outro tempo.
Não sei do porque passa.
Talvez, não passe aqui. E lá, oportunidade precisa ser direito.
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Padova, 07/04/2022
No gelado que faz a manhã iniciar em silêncio.
Pelas ruas, a caminhada aproveita o olhar para deixar o destino mais curto.
O amarelo que vem das flores ainda não despertou.
Já o branco está de pé. Que leve e de aparência frágil, mantem a sua postura no verde.
Aponta para todas as direções.
São muitos. E quando o vento sopra, a poeira branca toca, como restos de tecido que desprendeu. E voa.
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Padova, 08/04/2022
Há algo que habita em mim, mas me surpreende quando acontece.
As ideias repentinas. Um choque imediato, que vem após um redemoinho desgovernado.
É um pulso que jorra e faz o trabalho acontecer.
A comunicação ainda não é forte, mas a organização ajuda na mensagem.
Acho que consegui.
Aprendi um pouco mais.
E a semana termina melhor.
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Padova, 09/04/2022
Águas que acompanham o trajeto.
Caminho que acompanha a água.
O curso que vem do rio.
Calmo e plano. Querendo ser verde.
A pontes ajudam a ver do alto. Surgem os círculos que provam que há vida.
Passeiam alguns peixes. Buscam a beira, pois lá também há vida.
E ficam. Vão e trocam.
O tempo segue.
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Padova, 10/04/2022
Desde longe o som anuncia algo que está em mim.
De perto, a roupa, a dança e o riso confirmam.
Dentro, na igreja, o preto toma conta do espaço de uma maneira como ainda não vivida.
Experimento o tom e as palavras que buscam na escritura. Um futuro próspero, do aprendizado que vem do domingo que antecede a Páscoa.
Não são daqui. Mas querem caber. Criar e construir. Pois estão.
Como faz acontecer a diáspora.
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Padova, 11/04/2022
Quando percebo a madrugada me empurra para fora.
Há uma violência típica da angústia. Bagunça o corpo e a mente.
Vem a sensação de pouco, pois quero entregar mais. Logo o sono foge.
Mas não vem a inspiração. É confuso.
Aos poucos, o escuro e o silêncio vão dando espaço para a luz e para os cantos dos pássaros. O dia quer começar. Eu quero acontecer.
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Rovigo, 12/04/2022
O almoço fica marcado pelas mãos que preparam. Não há necessidade de mais.
A boca sente o gesto, enquanto os olhos passeiam pelo rio e pelo verde.
O sol tenta fechar o rosto, marcando expressões que apenas ajustam o foco.
Por ora, passa o trem que dá o tom do tempo, ultrapassando os tijolos avermelhados.
O vento corta a cidade com leveza, abrindo espaço para um céu todo azul. Sem que haja chance para qualquer tempestade.
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Padova, 13/04/2022
O meu desejo por aqui aponta para construir.
Encontrar um caminho que seja meu, no qual eu possa incluir pessoas.
Uma vontade que pulsa por criar redes. Por edificar.
Preciso recorrer aos meus contatos. Não faltam dificuldades neste percurso.
Surge uma dose de ânimo, que acontece na proximidade do idioma.
Ainda bem que posso contar com alguns. Isso ajuda a seguir.
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Padova, 14/04/2022
Não é difícil reconhecer o que é escola. Universidade.
Ver o trânsito formado por idas e vinda. Cruzando os espaços, carregando mochilas.
Ora nas bicicletas. Que às vezes empurradas.
Da pressa por algo que parece urgente.
Ao mesmo tempo um grupo que relaxa na pausa.
Conversas que se misturam.
Vão sozinhos, acompanhados, encontram e seguem.
Um ritual que parece ensaiado.
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Padova, 15/04/2022
As regras que mudam no tamanho.
Falta padrão. Falta método.
Não cabe. O sapato não entra.
Quando entra, é maior. Sobra.
Quando veste bem, é caro.
Problemas do projeto.
Da heterogeneidade que é humana.
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Bologna, 16/04/2022
O dia é lindo. Vamos ao encontro de uma vista nova.
No caminho em linha, aparecem os campos verdes.
Grandes, espaçosos e pequenos no todo.
São plantações. Ainda não é hora, pois as parreiras estão peladas.
Do alto, a luz atravessa o céu.
Corta as nuvens e separa o horizonte.
Um prisma é criado pelo branco.
Parece janela.
Parece pintura.
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Verona, 17/04/2022
O castelo projetado pelo rio, que passa entre pedras e forma a espuma branca.
O azul é claro e serve de fundo para paisagens que surgem entre ruas apertadas.
Do alto, tudo é marrom. Avermelhado como o barro. Pintaram como o telhado.
A água difere de tudo. O curso brinca pela terra e a construção acompanha.
Vê-se círculos, semicírculos e torres que apontam para cima.
O olho vai até onde o céu toca o chão.
Lá, uma cortina transparente marca a borda.
O limite que aguça a descoberta.
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Vicenza, 18/04/2022
Pontes que parecem sacadas para ver a paisagem.
Flores que decoram a brutalidade do tempo. Dão cores, embora pequenas.
Surge caminhos que chamam a atenção pelo silêncio.
Trajetos de pedras que levam as pernas com os olhos.
O destino é o centro, mas o que vem antes já cumpriu.
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Padova, 19/04/2022
Um processo caótico que gira em torno de defender o que não se sabe.
De descobrir algo que pode ser novo.
Defender o que ainda não se sabe.
Preparar-se para o confronto de ideias.
Respostas que precisam ser amplas e diretas o suficiente.
Doutorado. Pesquisa.
Caminho tomado por névoas, pedras, subidas e descidas.
Quase sempre, falta caminho.
Que devo construir.
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Padova, 20/04/2022
Quando antecedem as reuniões de orientação, surgem angústias e o tempo começa a correr diferente.
Tudo acelera.
Falta conteúdo.
Falta segurança.
Mas, preciso entregar.
Algo será dito.
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Rovigo, 21/04/2022
Criar experimentos exige a visão do todo.
Um plano. A capacidade de compreender detalhes.
As perguntas são fundamentais. Assim, surgem as respostas.
Atenção e cuidado proporcionam dados que vão gerar valor.
Mas é preciso honestidade. Pressa não ajuda.
A pressão atrapalha. Não facilita o que já é difícil.
Quando meu, se conheço, tento facilitar a estratégia.
Aqui não é assim.
Parece que sou testado.
Sinto as palavras que chegam no tom que inibi.
A estratégia é paciência.
Resistir, pois não sou aqui.
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Padova, 22/04/2022
Deveria ser gradativo, mas sinto que não acompanho.
Talvez quisessem mais de mim.
Mas só ofereço até aqui.
Por dentro, os sentimentos se agitam.
Medo, esperança, força e apetite.
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Padova, 23/04/2022
O céu visto da sacada se move com nuvens grossas.
No piscar, se afastam e apresentam um azul puro.
São cores que ajudam no contorno do sol.
Que tem bordas. Mais de uma.
Por vezes, cruza um avião que pinta um branco em faixa.
Que se apaga enquanto desenha.
Assim, a mente relaxa.
Apreciação.
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Padova, 24/04/2022
Flores são vistas pelas sacadas.
Penduradas, criam memórias para quem está de fora.
Dão vida às ruas.
Deixam a visão mais leve.
Convidam a vida a pousar.
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Padova, 25/04/2022
Vivemos no equilíbrio diário entre poupar e aproveitar.
Algo que surge quando estamos em lugares passageiros.
Entre as informações do dia, a cotação da moeda.
Que nos ajuda a edificar no bolso.
Que não é tudo, mas é importante.
No sobe e desce, a tentativa de compreender o mercado.
Que é imprevisível. Cheiro de variáveis.
Sempre a incerteza.
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Rovigo, 26/04/2022
O céu muda o azul.
Chega o volume escuro, que parece querer cair a qualquer momento.
Na imensidão do alto, acaba o limite da horizontal. O barulho assusta, como se rachaduras acontecessem no teto.
A qualquer momento transbordará.
E cai.
Com força. Algo descomunal, que põe todos a reservar-se.
Curvem-se. Pois molha, assombra e esfria o corpo.
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Padova, 27/04/2022
De longe assisto uma história próxima.
Algo que faz perceber que o tempo passa.
Mas evolui. Aumenta a bagagem. Expõem a coragem.
Há na amizade o sentimento da conquista que vem do outro.
Faz brilhar os olhos pela entrega que não é minha.
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Padova, 28/04/2022
A batida cheia que registra o tempo.
Confirma que é hora. Algum acontecimento, que chega ao redor.
Atinge muitos. Significa qualquer coisa.
Perturba até os pássaros. Fogem para o outro lado. Ou vão ao encontro.
Mexe com a criança, que reage com a cruz. Brinca com isso.
A vida segue. Sem nenhuma pausa.
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Padova, 29/04/2022
Devo imaginar para onde vou com minha pesquisa.
Idealizar lugares úteis.
Resultados com os quais posso contribuir.
Não é um exercício fácil.
Desenhar caminhos.
Defender rascunhos.
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Padova, 30/04/2022
Santo teu nome que é da rua.
De quem atravessa a esquina.
Do encontro.
No corpo, na língua.
O gesto que comunica.
Santo da igreja. Santo do mundo. Da praça.
Dos pobres ricos.
Dos miseráveis, sujos e cheios.
Da gente.
Que dorme ou não.
Quem inquieta e movimenta.
Chega aonde pelo onde. E no inverso.
O Antônio que é por quem batalha.
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