Plataformas digitais e cooperativas: a urgência em formular soluções mais justas
O ritmo dos últimos tempos, acentuado por um mundo conectado e instável, vem exigindo adaptações comportamentais e organizacionais repentinas. De fato, as tecnologias digitais, fundamentadas no computador, celulares, softwares e redes, já fazem parte do cotidiano de muitos – e, como traje, vestem trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, levando a um novo modelo de sociedade e economia.
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| Foto: Carlos Tristão/Futura Press |
Com isso, as tecnologias habilitadoras dos novos rumos da indústria estão causando rupturas em alguns modelos e, nesse vácuo, sobra para alguns (muitos) a precariedade.
Há urgência em discutir, criar, testar e validar políticas públicas que assegurem condições de trabalho mais justas, em prol de ampliar direitos àqueles que, sem fracionar a responsabilidade, buscam e levam pessoas, deixam chegar o alimento, entregam em tempo reduzido, cruzam espaços inseguros, assumem riscos, identificam as cidades e viabilizam o consumo.
Em prática, trabalhadores de baixa renda, majoritariamente negros e negras, são gravemente atingidos pela ausência de uma agenda que se ocupe de definir um critério justo de remuneração aos vinculados em plataformas digitais e aplicativos.
Em geral não há um contrato de trabalho amparado por instituições públicas, falta transparência nos termos de uso, não há cobertura de saúde ou segurança e, muito menos, um(a) empregador(a) para acessar em caso de necessidade de negociação ou reivindicação direta.
Mas, as necessidades são imediatas. O balanceamento da equação que relaciona o trinômio dinheiro, pressa e risco é complexo e, portanto, não assegurar a relação de compromisso entre esses fatores pode desencadear ainda mais desigualdades.
Desenvolver políticas de uso e vínculo em plataformas digitais e aplicativos é essencial para colocar as tecnologias a favor de uma sociedade mais justa.
Vale frisar que a viabilidade das plataformas digitais e aplicativos está na informação disponibilizada pelos usuários, que serve de entrada para conectar necessidades. Destarte, o encontro acontece entre quem trabalha e quem consome, ambos moderados por algoritmos que descrevem rotinas de otimização de recursos e direcionam o lucro.
Neste cenário, acontece uma revolução que, sustentada pelo conceito de plataforma e rede, faz com que o valor esteja no dado. E, se o valor está no dado, cabe também a partilha dessa medida aos que disponibilizam suas informações e suas habilidades, que são fundamentais para manutenção dessa estrutura.
Sem dúvidas, a tecnologia pode assumir um papel atenuador de desigualdades. Na luta, que busca elementos básicos de dignidade, cabe aos trabalhadores e trabalhadoras ferramentas semelhantes que, baseadas em tecnologias digitais, no conceito de plataforma e redes, buscam intercooperação, além da criação de sindicatos fortes para negociação coletiva.
É preciso incentivar a ideia de rede em prol do coletivo, que articule pessoas e faça surgir soluções e inovação.
Além disso, é fundamental que o valor do dado seja também partilhado entre aos trabalhadores e trabalhadoras, mas principalmente, que seja oportunizado a capacidade de analisar e extrair valor daquilo que pode torná-lo livre.

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