Variação Dimensional - desde quando os meus produtos variam?
No entanto, vale a máxima:
Se eu não vi, não aconteceu.
Historicamente, a variação dimensional é evidenciada desde o momento em que a primeira peça foi produzida e controlada, seja de forma manual ou através de máquinas, com base em um desenho técnico mecânico. De fato, a variação ocorre naturalmente e está presente em toda a cadeia produtiva.
A variação não pode ser totalmente eliminada, mas pode ser controlada dentro de intervalos (limites) aceitáveis.
No entanto, as atenções voltadas para a temática de variação dimensional começaram a partir da produção em massa – isto é, modo de produção em larga escala, difundido por Henry Ford no início do século XX. À época, com o advento das linhas de montagem nas fábricas, a intercambiabilidade entre peças resultou na necessidade de especificação de tolerâncias, que consiste em exprimir uma faixa de variação aceitável para uma dada característica da peça, componente ou produto.
![]() |
| Linha de montagem no início do séc. XX. |
Ao longo dos anos, embora a evolução tecnológica proporcione sistemas de produção e medição com maiores níveis de exatidão, é amplamente reconhecido que os desvios geométricos podem ser observados em todos os artefatos físicos. Esses desvios são originários de várias fontes e estão presentes ao longo das diferentes fases de desenvolvimento do produto.
No decorrer do tempo, a evolução tecnológica impulsionou a produtividade e o aumento da complexidade dos produtos.
Antes da primeira revolução industrial, os produtos e artefatos eram fabricados principalmente por artesãos e, dessa forma, os diferentes estágios que envolvem o ciclo de desenvolvimento do produto, desde o projeto, fabricação e montagem, apresentavam forte dependência das habilidades humanas.
Nessa época, a gestão da qualidade dimensional dos produtos [se é que podemos chamar assim] era realizada encaixando as peças em seus respectivos pares, com o intuito de reduzir manualmente os desvios relativos entre essas peças para cada entidade formada.
![]() |
| Fonte: Tempos Modernos, 1936. |
Ao longo do século XX, marcado pela globalização, pelos conflitos geopolíticos e pelos avanços tecnológicos, surgiram personalidades e máximas como:
- Walter Shewhart, 1931: “os dados não têm significado se apresentados fora de contexto”;
- William Deming, 1944: “não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gerencia”;
- Joseph Juran, 1988: “não existe controle sem padronização”; e
- Genichi Taguchi, 1986: “o custo é mais importante que a qualidade, mas a qualidade é a melhor maneira de reduzir custos”.
Ou seja, reflexões importantes para o desenvolvimento da qualidade dos produtos e que, até os dias de hoje, trazem contribuições para a indústria. Ainda em 1986, Taguchi introduz, de forma original, o conceito de Projeto Robusto, isto é, aquele que é insensível a variações.
Atualmente, é possível fazer uso de técnicas como Design for Dimensional Control (DDC), a fim de estabelecer um processo de controle dimensional do produto, reconhecendo e gerenciando a variação durante as etapas de projeto, fabricação e montagem. Com isso, reduzindo os efeitos prejudicais da variação dimensional e eliminando fontes de variação desnecessárias. Para tanto, o DDC incorpora uma série de ferramentas, técnicas, bem como exige uma estrutura organizacional que favoreça uma engenharia simultânea, envolvendo a participação de equipes multifuncionais em todo o processo de desenvolvimento de produto.
Com o advento da manufatura avançada - Indústria 4.0 - o controle da variação dimensional do produto requer o uso de técnicas analíticas, baseadas em computação avançada, para predizer a provável amplitude de variação e suas principais causas nas características críticas do produto. Hoje, no mercado, existem algumas opções de softwares comerciais que permitem que o projeto do produto e os processos de produção sejam testados por simulação.
No entanto, esse é um tema longo, com distintas possibilidades de ganhos operacionais para as empresas, favorecendo a melhoria contínua da competitividade.



Comentários
Postar um comentário